5º SEMINÁRIO – MTE/SENAES



5º SEMINÁRIO DE “FORMAÇÃO E FORTALECIMENTO DE EMPREENDIMENTOS COLETIVOS SOLIDÁRIOS DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS”

Nos dias 15 e 16 de julho de 2015, representantes de associações e cooperativas que compõem as redes Cataparaná, Arenito Caiuá, Coopercentral e Inter-eco se reuniram em Curitiba para realização do 5º Seminário de “Formação e Fortalecimento de Empreendimentos Coletivos Solidários de Catadores de Materiais Recicláveis”, que acontece no âmbito do convênio MTE/SENAES 769780/2012. O encontro, que aconteceu no Hotel Caravelle, localizado na Rua Cruz Machado, nº282, no Centro de Curitiba, teve como objetivo principal proporcionar espaço de amplo debate a cerca da situação em que se encontram as quatro redes – oportunizando assim, aos membros de cada rede, o conhecimento acerca dos resultados e desafios apresentados pelas outras redes.

Com início às 9 horas da manhã, após o credenciamento e a entrega de camisetas e crachás aos catadores e catadoras, deu-se inicio à mística na qual cada associação escreveu em uma folha de árvore desenhada em papel, as suas expectativas para o encontro. Ao fim da mística, o resultado foi uma árvore composta com as folhas contendo as expectativas de todas as associações presentes.

Após a mística, aconteceu o momento de falas da mesa de abertura composta por um representante de cada rede, do Movimento Nacional das Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis – MNCR, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Instituto Lixo e Cidadania – ILIX e do Ministério Público do Estado do Paraná. Merece destaque a palavra de Carlos Alencastro Cavalcanti, liderança do MNCR, que ao relembrar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi resultado de cerca de vinte anos de luta, observou que a situação de crise em que se encontra o país e a prorrogação do prazo de fechamento dos lixões, demanda união e confiança para enfrentamento às adversidades do momento. Segundo Carlos Alencastro, a utopia, enquanto ingrediente necessário na luta contra o desânimo, é o que fortalece a caminhada. Destaque também para o catador Waldomiro Ferreira da Luz, representante do ILIX, que animou o espaço com hinos do MNCR, e o pronunciamento do procurador Dr. Saint Clair Honorato Santos, que representando o Ministério, relembra que, apesar da crise, o credenciamento, que abre a possibilidade para que associações e cooperativas assumam a gestão de triagem de materiais recicláveis em Curitiba, é uma conquista da categoria mediante organização política. Saint-Clair coloca também que a Rede Cataparaná representa o melhor modelo de enfretamento às aflições do momento.

Após a mesa de abertura os participantes desceram para o coffee break.

Com retorno às 10h15m, Rejane Paredes, contadora da Rede Cataparaná, prestou contas da rede, demonstrando os números e resultados referentes aos anos de 2012, 2013 e 2014. Ao fim da apresentação, Carlos Alencastro falou sobre orgulho que tem dos resultados obtidos e colocou que, nem mesmo muitas empresas privadas alcançam resultados tão bons quanto à rede, que mesmo funcionando em um modelo que cooperativismo, em uma lógica diferente e contrária a empresas mercantilistas, obteve uma evolução nos números, sendo colocada, inclusive, como modelo de gestão para os outros estados – ainda que internamente a mesma se encontre em crise.

Aberto a intervenções e questionamentos do público, um dos presentes perguntou se a Rede beneficiará todos tipos de materiais recicláveis. Carlos respondeu: “Eu diria que sim, porém, não sem antes estipular metas para que isso se concretize. Quando se idealizou a Rede, ela foi pensada como empreendimento que trabalharia com todos materiais. Porém novos materiais demandam a estruturação da rede, demanda mais espaços, e consequentemente novas necessidades”.

Por fim das atividades da manhã, Carlos Alencastro falou sobre Reciclagem Popular, e na sequência, pausa para almoço.

O retorno se deu com a apresentação de Antonio Fagner, representante do MNCR de Porto Alegre. Fagner conversou com os presentes sobre gestão participativa pela abordagem da autogestão, compreendida como uma resposta à competitividade baseada no princípio da solidariedade, na qual os trabalhadores assumem todas etapas da gestão de um empreendimento.

Após a apresentação do Fagner foi realizada uma mística onde cada presente recebeu um papel com uma frase incompleta cujo restante da frase encontrava-se com outra pessoa. Assim, cada um lia seu papel em busca daquele que o completava. O resultado foi um momento de descontração e abraços entre os presentes

Após a mística, Fagner retomou brevemente alguns aspectos da autogestão e então se encerrou o primeiro dia do evento com o coffee break.

2º dia

No segundo dia as atividades começaram às 08h30 da manhã com uma mística onde os presentes dançaram e cantaram hinos do MNCR.

Na sequência, Rejane Paredes apresentou o projeto CATAFORTE III. Além de explicar o projeto, passando pelos objetivos, metodologia de execução, etc, Rejane abordou qual o papel do Instituto Lixo Cidadania – base de serviços para execução do projeto nas redes Cataparaná, Coopercentral e Arenito Caiuá.

Explicado o projeto, os presentes se dirigiram ao coffee break.

Ao retornarem teve inicio o momento de apresentação de cada uma das redes. Carlos Cavalcanti, liderança do MNCR e membro da Cataparaná, juntamente com Itamar, técnico da rede, apresentaram a situação da rede e todo processo produtivo, explicando por exemplo como se dá a linha de PET, prensa automática, fragmentadora, etc.

Rejane Paredes e Aguinaldo apresentaram a Rede Coopercentral. Juarez, técnico do ILIX, juntamente com as catadoras Rosângela, Patrícia e Luana apresentaram a rede Inter-Eco. E Roselaine apresentou a Arenito Caiuá junto a representantes da rede.

Terminadas as apresentações todos saíram para o almoço.

No retorno, pós-almoço, cada rede se reuniu em uma sala onde receberam os certificados. Além disso, os integrantes de cada rede conversaram entre si: A Rede Cataparaná elegeu seus três mobilizadores para o CATAFORTE III, enquanto a Coopercentral e a Arenito Caiuá decidiu que levaria a eleição de seus mobilizadores para suas bases, em seus respectivos municípios. Já os catadores do Inter-Eco conversaram sobre critérios de formalização da rede, as necessidades de se ter um local para funcionamento, data de inicio, e também organizaram uma manifestação para pressionar o município a fazer o repasse de verbas atrasados para a Rede Cataparaná. Por fim, os catadores de todas as redes responderam individualmente um questionário de avaliação do evento, cujo resultado, em geral, apontou pra satisfação geral dos grupos, que indicaram o fortalecimento do cooperativismo e o fomento a novas informações como os principais pontos positivos do evento.


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